Fórum dos adolescentes: tomando as rédeas, compartilhando saberes
O projeto Rede de Adolescentes por uma cidade justa e sustentável realizou o 1º Fórum dos Adolescentes, reunindo cerca de 120 jovens de cinco regiões de Maceió, no intuito de organizar suas expectativas e demandas em relação ao poder público, fechando o primeiro ciclo da Plataforma dos Centros Urbanos.

A Rede de Adolescentes por uma cidade justa e sustentável – do Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu (CEASB), em parceria com o programa Plataforma dos Centros Urbanos (PCU), do UNICEF – realizou, no dia 2 de junho, o 1º Fórum dos Adolescentes que contou com a participação ativa de aproximadamente 120 jovens.

Eles vieram dos cinco territórios eleitos pelo UNICEF – por apresentarem alto índice de vulnerabilidade socioeconômica – para a implantação da PCU em Maceió que se institui em três eixos básicos: monitoramento da redução das desigualdades, participação social nas políticas públicas e participação cidadã dos adolescentes.

Eram meninos e meninas, entre 13 e 19 anos, ansiosos por soltarem a voz, trocarem ideias e, juntos, buscarem soluções para essas desigualdades que colocam Maceió entre as capitais com os piores índices de exclusão social do país.

O evento representou importante espaço de debate político e resultou de um processo continuado de organização em rede, com foco central no desenvolvimento da autonomia e da autoria. Eles disseram, alto e em bom tom, que querem ser protagonistas de seu destino. Que querem ser atores sociais importantes em suas comunidades, por meio da participação efetiva na elaboração de políticas públicas, programas e ações voltados para a garantia dos direitos de cada criança e de cada adolescente que vive nos centros urbanos. Que querem protagonizar a construção de uma nova cidade, de uma nova sociedade.

O Fórum possibilitou a reflexão sobre temas importantes, apresentados em duas mesas de debate: “Adolescência, Desigualdade e Maioridade Penal” e “Organização e Comunicação em Rede: adolescentes por uma cidade justa e sustentável”.

No primeiro momento – que teve como convidados a representante do UNICEF no Nordeste Luiza Fabiana de Sá Leitão; o professor de Direito Penal, ex promotor de Justiça do MPE/AL e ex procurador da República (MPF) Delson Lyra; e o educador social Atila Vieira – foram apresentados alguns dados sobre o tema que deixaram a plenária inquieta e surpresa.

Os palestrantes foram unânimes no posicionamento contrário à redução da maioridade penal e afirmaram, categoricamente: os argumentos que as casas legislativas e alguns partidos e segmentos organizados apresentam ao país, como defesa dessa insanidade, não passam de falácia; de cortina de fumaça para esconder a realidade assustadora do sistema carcerário, em particular, o brasileiro.

E todos concordam, também, com a máxima que vem sendo recitada nas frentes de resistência à aprovação da PEC 171/93 – que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos: “mais escolas, menos cadeias: lugar de adolescente não é na prisão”.

A segunda mesa, “Organização e Comunicação em Rede: adolescentes por uma cidade justa e sustentável”, contou com a apresentação da consultora nacional do UNICEF, Anna Christina Nascimento, que partilhou dados significativos, coletados pela instituição que representa, relativos às desigualdades e à metodologia de atuação da PCU. Anna também reforçou a importância dessa forma de articulação para o desenvolvimento dos jovens e para a materialização dos objetivos da Plataforma.

Na sequência, foi apresentado o vídeo “Formação da Rede da PCU em Maceió” (assista ao vídeo), produzido pelo educador do CEASB, Paulo Costa reunindo, em imagens, alguns dos melhores momentos do processo de mobilização dos jovens participantes da PCU que aconteceu, simultaneamente, nos cinco territórios. Os jovens vibraram ao se reconhecer nas imagens e nas perspectivas que elas representam, no futuro de cada um deles.

A rede se espalha e ganha corpo

Hora de trocar ideias com seus pares e educadores, nos debates em grupo que incluíram os temas Educação; Violência e Segurança; Saúde e Sexualidade; Cultura e Arte; e Trabalho, Renda e Qualificação profissional; e Instrumentos de comunicação em Rede.

Essa etapa do Fórum revelou enorme riqueza de conteúdo e surpreendeu pela vivacidade e determinação com que os jovens tomaram as rédeas do evento. A experiência de cada grupo foi socializada com todos e, ao final, eles definiram propostas prioritárias para o Plano de Ação, formaram as Comissões Temáticas da Rede e aprovaram a Coordenação Ampliada da Rede de adolescentes por uma cidade justa e sustentável.

Outra grata surpresa foram as apresentações artísticas elaboradas e protagonizadas por meninos e meninas dos diferentes territórios e a proposta de que essas ideias e talentos sejam sistematicamente compartilhados, doravante.

Além das manifestações culturais de representantes dos territórios, o Fórum recebeu o grupo Quartel, formado por estudantes do IFAL/Campus Maragogi, apresentando o esquete teatral “Ditadura Militar” (ver matéria), concebido e dirigido, respectivamente pelos professores Carlos Filgueiras e Ricardo Araújo. Aliás, nada mais atual e providencial para alimentar o debate sobre esse período sombrio da história brasileira que alguns segmentos inadvertida ou maliciosamente, começam a querer de volta à cena.

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