Estudante do Benedito Bentes conduz chama olímpica

Conduzindo o fogo da esperança

Por Gal Monteiro

O Brasil inteiro respira os bons ares dos Jogos Olímpicos de 2016. A “Chama Perene”, oriunda da Grécia, vem percorrendo o país rumo ao destino final, onde vai dar vida à Pira Olímpica na cerimônia de abertura dos Jogos da XXXI Olimpíada, que serão realizados no período de 05 a 21 de agosto, no Rio de Janeiro (Rio 2016).

O fogo da Tocha, que passa de mão em mão, em sistema de revezamento, celebra uma tradição de três mil anos: os gregos consideravam o fogo um elemento divino e mantinham chamas acesas, por meio de uma espécie de espelho côncavo que converge os raios do sol para um ponto específico, em frente a seus principais templos – como o santuário de Olímpia, palco dos Jogos Olímpicos da Antiguidade.

E é assim até hoje: de 90 a 100 dias antes de cada edição dos Jogos, a Chama é acesa nas ruínas do Templo de Hera, na cidade de Olímpia (Grécia), e orgulhosamente carregada como símbolo de paz, união e amizade.

Na rota da edição brasileira, estão 329 cidades e dos 27 estados, totalizando 20 mil quilômetros em terra e 10 mil milhas aéreas vencidas por 12.000 condutores da tocha que vêm carregando a Chama Olímpica desde o dia 3 de maio.

E o que é que os 12 mil condutores têm em comum? São cidadãos e cidadãs que fazem a diferença, seja no esporte ou em suas vidas nas respectivas comunidades. Eles foram selecionados a partir de quatro campanhas diferentes, promovidas pelo Comitê Rio 2016 e patrocinadores oficiais do revezamento.

 

A chama no Paraíso das águas

Na capital alagoana, a passagem da Tocha está sendo celebrada com o Festival Cultural Tocha Olímpica em Maceió, realizado pela Fundação Municipal de Ação Cultural, com o apoio do Ministério da Cultura, e que acontece na Praça Multieventos, Pajuçara. Ao todo, 110 pessoas vão percorrer 11 bairros da cidade – Pajuçara, Ponta Verde, Jatiúca, Cruz das Almas, Serraria, Barro Duro, Murilópolis, Gruta, Farol, Centro e Jaraguá – conduzindo a Chama Perene.

Num momento em que instituições e cidadãos combatem a extrema violência contra jovens ou protagonizada por jovens que se envolveram com atividades do tráfico de drogas e outras ações criminosas, registradas em diversos pontos da cidade, é salutar e bastante emblemático que, entre esses felizardos, esteja o adolescente Odilon Matheus, 17 anos, aluno da escola estadual Eunice Campos e morador do Benedito Bentes 1 – um dos bairros com maior índice de assassinato de jovens.

A história de Odilon motivou e justifica plenamente a honraria da escolha de seu nome, pela secretaria de Educação, como representante das escolas públicas estaduais da 13° GERE. No âmbito escolar, ele atua como liderança estudantil, assumindo a presidência do Grêmio e a secretaria de Grêmio Estudantil de Alagoas, pela União Secundarista dos Estudantes e é idealizador de projetos como o “Quinta Cultural”, responsável por ampliar o espaço para as ações de cultura na escola.

Na comunidade onde reside, Odilon é um ativista cultural, com participação em diversos grupos artísticos e projetos incentivados pelo Ministério da Cultura e ações como o plantio de mudas de árvores e campanha contra o descarte irregular do lixo, além da atuação no cuidado com crianças em vulnerabilidade social, pela Pastoral da Criança, iniciativa da igreja católica.

Destaque para a participação e liderança do jovem na Rede de Adolescentes por uma cidade Justa e Sustentável, da Plataforma dos Centros Urbanos, programa do UNICEF em parceria com a Prefeitura de Maceió e o Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu que constitui uma contribuição na busca de um modelo de desenvolvimento inclusivo das grandes cidades, pela redução das desigualdades que afetam a vida de suas crianças e seus adolescentes, ajudando a garantir maior e melhor acesso à educação de qualidade, saúde, proteção e oportunidades de participação a cada uma delas.

Essa iniciativa envolve 150 jovens de 13 a 18 anos, estudantes do ensino fundamental e médio de escolas públicas das cinco regiões de Maceió mais socialmente vulneráveis, segundo indicadores do Unicef, para fazer a diferença em suas comunidades e na cidade, como um todo. Tem a missão de atuar em territórios da capital alagoana, estimulando a visão crítica de jovens e adolescentes no sentido de prepará-los para a luta por uma cidade justa e sustentável. E aí está o Odilon, como liderança ativa e crítica.

Profundamente emocionado pela missão que recebeu de seus pares, Odilon celebra: “eu nunca imaginei que um dia eu poderia andar de avião, achava que seria um sonho quase impossível e aos 16 anos realizei. Levar a chama olímpica é ter a certeza de que, assim como o avião, eu também posso ir longe, alcançar lugares  de difícil acesso. Eu me sinto muito feliz e com o coração a mil, pois irei representar as coisas que me fazem feliz todos os dias: as pessoas da minha comunidade, os grupos artísticos de que participo, a minha escola. Vou guardar pra sempre cada segundo com a tocha, cada passo. É um momento histórico que precisa ser lembrado”.

De tão feliz, ele decorou cada detalhe da conquista e do percurso: número de identificação: 093; ponto de partida: Av. Álvaro Otacílio, 680-914 – Ponta Verde, Maceió – AL, Brazil; Referência: Prédio 3749 (esquerda); horário de partida (previsão): 18:12; final do percurso: Av. Álvaro Otacílio, 447-655 – Ponta Verde, Maceió – AL.

É isso. Resta-nos desejar que a chama olímpica também ilumine e aqueça seus caminhos. Boa sorte menino!

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