Ditadura nunca mais: Integração artística e reflexão histórica enriqueceram programação do Fórum
Espetáculo protagonizado por estudantes do IFAL, apresentado durante o 1º Fórum dos Adolescentes da PCU, reflete sobre a Ditadura Militar no Brasil, oferecendo subsídios para o debate sobre a realidade atual e a participação dos jovens na cena política.

O período militar (1964-1985) foi um dos mais cruéis da história do Brasil. Prisões, torturas e assassinatos aconteciam frequentemente contra os que desejassem lutar por liberdades individuais e coletivas. Com o objetivo de retratar esse momento histórico, o grupo Quartel, formado por estudantes do IFAL/Campus Maragogi, montou o esquete teatral “Ditadura Militar”. O espetáculo, nascido da parceria entre as aulas de história e de artes, foi apresentado no 1º Fórum dos Adolescentes da Plataforma dos Centros Urbanos, realizado no dia 2 de junho.

A concepção é do professor de história, Carlos Filgueiras que, no ano passado – quando o esquete estreou no palco do Campus Maragogi – propôs aos alunos do 3º ano (hoje 4º ano) vespertino do curso de Hospedagem fazer um trabalho artístico de reflexão sobre os 50 anos do Golpe Militar. A direção do espetáculo é de Ricardo Araújo, teatrólogo há mais de 30 anos e hoje professor de artes do IFAL, que aceitou o desafio de preparar o grupo: “me interessava tanto no campo das artes, como para a disciplina”.

A narrativa apresentou a violência da ditadura militar expressa na separação entre mães e filhos, na perseguição, no sofrimento, na prisão e morte de centenas de militantes. Utiliza, prioritariamente, a linguagem corporal e do gesto e apresenta uma trilha sonora com músicas de Chico Buarque, Geraldo Vandré, Geraldo Azevedo e outros nomes da MPB muito tocados à época. Do outro lado da cena, a alienação, o falso patriotismo e a festa do futebol. A ideia da direção é, por meio desse formato, permitir uma reflexão mais ampla e profunda sobre os acontecimentos que marcaram esse tempo de escuridão e sofrimento.

“É preciso levar conhecimento aos jovens para que possam refletir sobre essa realidade, para que esses fatos do passado nunca mais aconteçam” (Ricardo Araújo – professor IFAL)

O elenco utiliza um figurino fortemente pontuado por peças pretas, evocando a lembrança do luto por tantas perdas. Nas mãos, placas com fotos que representam os desaparecidos – situação típica dos duros 21 anos de ditadura. Nesse clima, a encenação revive o drama protagonizado por muitos brasileiros que tiveram familiares e amigos sequestrados pelos órgãos oficiais de repressão. Embalados pela emblemática “Pra não dizer que não falei de flores”, de Geraldo Vandré, os atores distribuem rosas vermelhas com a plateia atônita.

O público que recebeu o espetáculo no Fórum dos Adolescentes – a maioria parte formada por menores de 18 anos – parou para “ver, ouvir e dar passagem”. Eles não presenciaram a dureza daqueles anos, porém, querem saber mais sobre “o que fazer para jamais viver nada parecido”.

O espetáculo termina com uma mensagem de esperança – a projeção do famoso discurso de Charles Chaplin, no filme O Grande Ditador: “Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!”.

Ricardo acredita que abordar esse tema seja fundamental, sobretudo agora, quando a democracia, ainda em construção – e, portanto, com muitas fragilidades – continua sendo submetida a duras provas. Exemplo concreto e assustador são os pedidos de retorno ao período militar que reaparecem durante algumas manifestações de rua onde setores conservadores da sociedade tentam ganhar os segmentos mais desinformados. “É preciso levar conhecimento aos jovens para que possam refletir sobre essa realidade, para que esses fatos do passado nunca mais aconteçam”, conclui o professor.

(82) 3355-5196 | ceasb.al@ceasb.org.br | Avenida Gen. Luiz de França Albuquerque Rod. AL 101 Norte, 9.005, CEP 57039-230, Riacho Doce, Maceió, Alagoas.
CENTRO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL SÃO BARTOLOMEU © 2015 CEASB.org.br - Todos os direitos reservados
CNPJ: 01.123.585/0001-08