Audiência pública debate racismo e extermínio da juventude negra

Em homenagem a um dos grandes líderes da população negra, Marthin Luther King, foi realizada no dia 4 de abril – data de seu 58º aniversário de morte – uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas (ALE) para discutir as lutas e o ativismo do povo negro. Adolescentes e educadores da Rede de Adolescentes por uma cidade justa e sustentável estiveram presentes no evento.

Convocada pela deputada estadual Jó Pereira, em parceria com o Instituto Raízes de Áfricas, a audiência foi intitulada “Eku abo – tempos de áfricas – sobre lutas, ativismo e resiliência do povo preto”. Com a presença de ativistas sociais, religiosos de matrizes africanas, membros da área acadêmica e representantes do poder público, a audiência foi marcada por denúncias de racismo e de violência na periferia.

“Sou Stephanie Maya, tenho 9 anos, e já sei como o racismo dói. Sei que o racismo existe e precisa ser combatido”, disse a pequena garota negra na tribuna da casa legislativa.

Nesse mesmo microfone, diversos oradores denunciaram casos de racismo e extermínio da juventude negra, como o caso dos irmãos Josenildo e Josivaldo Ferreira mortos pela Polícia Militar de Alagoas na semana anterior ao evento. Os jovens de 16 e 18 anos, respectivamente, eram portadores de necessidades especiais e foram assassinados durante uma abordagem policial na parte alta da cidade.

Os adolescentes do projeto da Rede comentaram sobre os crimes contra jovens negros nas periferias. “Moramos em bairros periféricos e acabamos vendo muitas dessas histórias. Infelizmente, é crescente o número de vítimas da polícia em Alagoas e os jovens precisam lutar para viver”, disse Clyton Oliveira, 18 anos, morador do Tabuleiro dos Martins, região 7.

O evento contou também com a presença do secretário de Estado da Fazenda, George Santoro, que apresentou o Projeto de Lei do Fundo Estadual de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial.

O Fundo é uma proposta do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial prevista no regimento interno desde sua fundação, em 2014. Atualmente, a minuta que garante a gerência do conselho sobre o fundo já tramitou da Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos para a Secretaria da Fazenda, onde se encontra à espera encaminhamento do Governador para se transformar em projeto de Lei na Assembleia Legislativa.

Para Valdice Gomes, representante da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial e do Conselho Estadual de Políticas de Igualdade Racial, o fundo é necessário para que as políticas de igualdade racial aconteçam no Estado e pode ajudar no combate ao genocídio da juventude negra.

“A gente espera ter muitos avanços porque Alagoas está muito longe de ser um estado que desenvolva políticas de igualdade racial. E, como a justificativa é falta de recursos, esperamos que com esse fundo possa acontecer, de fato, ações”, disse Valdice ao citar possibilidades como a regularização das terras quilombolas e apoio à projetos do conselho e da sociedade civil.

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